quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quando a ambição vai parar de destruir a razão???




    Quando criei esse blog, pensei em encher de coisas legais, diferentes e úteis... coisas do tipo tecnológicas ou designers inovadores e ainda moda, arquitetura e decoração... tudo que inspirasse beleza, alegria.

Mas nos últimos tempos meus dias andam meio corridos, estou trabalhando bastante, fiz uma viagem legal no fim do ano e estou curtindo o meu cantinho, o meu namorado e meus bichos...quando penso em postar alguma coisa aqui, penso em algo que ajudasse a mudar a consciência mundial, algo que pudesse ajudar o mundo, o futuro das nossas gerações...

Tenho medo de não ter tempo de fazer tudo o que sempre sonhei, tenho medo de não ter mais tempo pra mim, pra minha familia e talvez para os meus filhos, porque ainda nem sei se vou ter filhos, tenho medo de ser culpada colocando inocentes nesse planeta egoísta e materialista.

Não sei o quanto conscientizaria meus filhos sobre o valor da vida, dos animais e da nossa flora tão rica e linda...gostaria de poder mostrar a eles uma outra forma de ver a vida e uma sociedade humana e solidária, aquela que siga a religião do amor e a filosofia do coração.


Deixo então para vocês um texto que comprove minha insegurança perante o futuro... mas com o único intuito de mudar esse futuro para melhor.

Quando a gente muda o mundo muda!


Muita luz a todos!!!

Bjs


As consequências catastróficas de um recuo em Copenhague

*Jean-Pierre Lehmann
professor-jean-pierre-lehmann2Chegamos a um daqueles momentos em nossa história em que decisões tomadas e ações implantadas ou evitadas terão enorme impacto sobre o destino da humanidade. Podemos dizer que esse exato momento é a Conferência do Clima em Copenhague em dezembro de 2009. Suas conseqüências não podem ser subestimadas. Em meio a essa encruzilhada, se for tomado o caminho da solidariedade global e da determinação de um engajamento para enfrentar a ameaça das mudanças climáticas, aí o século 21 poderá ser próspero. Agora, se a decisão errada for tomada, poderemos testemunhar uma era de escuridão. Além da importância da questão climática, a solidariedade e o compromisso em Copenhague serão fortes indicadores de que estamos comprometidos a criar uma aldeia global viável.
Nosso histórico, porém, não é encorajador. A capacidade de destruição e de promover a desumanidade ao longo da história parece não ter limites. O século 20 foi especialmente marcante ao relembrar as centenas de milhões de pessoas que foram mortas, mutiladas, violadas, envergonhadas publicamente e humilhadas. Provavelmente não é o caso de afirmar que a natureza do homem degradou, mas que simplesmente havia uma tecnologia mais sofisticada para alcançar seus fins. Talvez, no passado, já deveria haver pessoas que gostariam de ter exterminado 6 milhões de judeus, mas sem o gás produzido e fornecido pela IG Farben, teria sido impossível fazê-lo.
A capacidade de destruição e desumanidade também está evidente nas atitudes do homem para com a natureza. O falecido Shigeto Tsuru, renomado economista japonês, comentou que a construção de petroquímicas da indústria japonesa no meio do Mar do Interior estava privando gerações futuras de usufruírem daquele ambiente místico. Claro, não se deve interromper o crescimento econômico, mas muito do que ocorreu no Japão na década de 1950 e 60 durante o chamado “milagre econômico” (fenômeno também em outras regiões do mundo) foi a destruição brutal da natureza e também das pessoas, evidenciado pela doença de Minamata. A “morte” trágica do Mar de Aral é outro exemplo de aniquilação arbitrária entre outros milhares que poderiam ser mencionados.
Apesar de toda a nossa barbaridade, de alguma forma conseguimos sobreviver e insistimos em acreditar que continuaremos sobrevivendo. Um tempo atrás, estava fazendo uma apresentação do IMD, e um diretor me disse que não acreditava em cenários catastróficos. “Tudo bem”, eu respondi, embora boa parte do século 20 prove que cenários catastróficos existem e, de fato, já estão acontecendo.
O cenário catastrófico e plausível do século 21 não é o da erradicação do homem através da guerra e do genocídio, mas através da destruição do planeta ou, talvez mais precisamente, da complacência da destruição do planeta. Apesar das convincentes evidências científicas, há uma indiferença generalizada entre o público em geral – especialmente nos EUA – de que toda essa provocação da mudança climática é irrelevante.
Em seu excelente livro “Colapso: Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso” (2005), Jared Diamond mostra como as sociedades cometem (e continuam cometendo) ‘ecocídio’. Não há como negar que isto, possivelmente mais cedo do que mais tarde, poderá acontecer em todo nosso planeta.
Independentemente se o planeta entrar em colapso ou não devido às mudanças climáticas está claro que alguns dos países mais pobres e vulneráveis, como os da África interiorana e aqueles abaixo do nível do mar como Bangladesh e Maldivas, já estão sofrendo os efeitos adversos das alterações – uma situação que certamente irá piorar precipitadamente. Em um mundo que já é injusto e desigual, com seus contrastes econômicos e sociais entre ricos e pobres, os menos afortunados sofrerão ainda mais as terríveis tribulações da extensa degradação ambiental.
Após a Segunda Guerra Mundial, quando os europeus tiveram de encarar a realidade do Holocausto, a resposta padrão era: “nós não sabíamos”. Em julho de 1938, uma conferência intergovernamental foi realizada em Evian, França, a respeito dos judeus refugiados. Embora tenham reconhecido que havia um problema, os delegados decidiram que não havia nada a ser feito. Após a reunião, Hitler teria comentado: “É um espetáculo vergonhoso ver como todo o mundo democrático transborda simpatia para com o pobre, atormentado povo judeu, mas permanecem com corações frios e inflexíveis quando se trata de ajudá-los”. A Conferência de Evian serviu como uma ‘permissão’ para Hitler continuar a atrocidade [1].
Hoje, no caso da ameaça da alteração climática, já não é possível dizer que as pessoas não sabem. Mas, como na situação da década de 30, não há dúvida de que há muitos que não querem saber. O que torna o caso ainda mais complexo é que, com exceção dos países especialmente vulneráveis mencionados acima, o impacto será sentido pelas gerações futuras. O ecocídio está sendo cometido à custa das crianças e dos que ainda não nasceram.
Na atual conjuntura, há um grave risco de que a Conferência de Copenhague sobre a Mudança Climática tenha o mesmo significado para o planeta que a Conferência de Evian de 1938 teve para o Holocausto. Enquanto Roma está em chamas, os líderes políticos dos principais países industrializados e em industrialização se envolvem em um jogo nada edificante de culpas e blefes. Isto se deve, em grande parte, à péssima qualidade da atual liderança política global.
Em compensação, ONGs com iniciativas ambientais estão procurando influenciar ativamente o processo da política pública. Apesar das boas intenções, sua capacidade de realmente fazer uma diferença arrebatadora – que é o necessário – nas atitudes do processo político, é limitada.
É bem provável que apenas a liderança empresarial possa salvar o dia e também o planeta. Mesmo nessa situação desesperadora, a absorção e aplicação apropriada de tecnologias verdes condizentes por líderes de negócios podem fazer a diferença arrebatadora. Um recente relatório elaborado, em conjunto, pela Global Compact das Nações Unidas e a Dalberg Global Development Advisors, chamado Champions of the Low Carbon Economy – Why CEOs are Ready for a Global Climate Agreement (Líderes da Economia de Baixo Carbono – Por que os CEOs estão Prontos para um Acordo Climático Global – em tradução livre), demonstrou que há, de fato, uma tremenda oportunidade de negócios ao encarar os desafios da mudança climática.
Se as empresas assumissem a liderança de forma responsável, o impacto poderia se estender além da salvação do planeta – objetivo já um tanto quanto respeitável! Poderia alterar radicalmente a natureza e a percepção do capitalismo. Entre agora e o início da segunda década do século 21, ocorrerá a Conferência de Copenhague. As perspectivas são muito sombrias. Nos minutos finais do segundo tempo, se as empresas conseguissem mobilizar forças suficientes para garantir que Copenhague não sofresse um recuo, e sim, representasse um sério esforço para preservar e certamente embelezar o planeta para as gerações atuais e futuras, podemos estar a caminho de dias muito felizes – e, claro, tudo isso seria muito bom para os negócios.
Concluindo, as famosas palavras do poeta inglês do século 17, John Donne:
“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti…”.
*Jean-Pierre Lehmann é professor de International Policital Economy no IMD, uma das principais escolas de negócios do mundo, em Lausanne, Suíça.

Ári ; ]

Um comentário:

  1. Oi gostaria que conhecesse o meu blog de design-consumo e meio ambiente. Desde já agradeço a visita. Um abraço.

    http://marciodupont.blogspot.com

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